“Ser Catequista: Identidade e Missão”

 

Catequizar é uma arte.
O catequista é um artista da fé.

No bailar das diversas religiões
o catequista é convidado a ajudar os catequizandos a dançar com prazer a música da religião cristã.

No palco das diferentes igrejas
o catequista é convidado a ajudar os catequizandos a serem protagonistas da peça conduzida pela Igreja Católica.

Em meio ao som das mais variadas formas de experimentar Deus e expressar a fé
o catequista é convidado a ajudar os catequizandos a saborear o Evangelho de Jesus Cristo.

Ser, saber, fazer e falar…

Estes quatro elementos fazem parte da identidade e missão do catequista. Entretanto, têm pesos diferentes.

Imagine um catequizando seu daqui a uns vinte anos:

– será que ele vai se lembrar das palavras bonitas que você falou?
– será que vai se lembrar de tudo o que você fez?
– será que vai se lembrar do que você sabia?
– e, será que vai se esquecer do seu jeito de ser?

Isso mesmo, o nosso jeito de ser é que marca as pessoas.

As palavras são leves e o vento as carrega…
O fazer é mais consistente e a história o arquiva…
O saber encanta e a pessoa admira…
O ser envolve e o coração eterniza…

Agora pense em uma pessoa querida que há muitos anos você não a vê. O que é mais fácil lembrar:

– as palavras lindas que ela falava?
– as coisas que ela fazia?
– o saber que ela possuía?
– ou, o jeito de ser dela?

Pois bem! Reflita sobre as questões acima e faça sua opção de vida.

Diretório Nacional de Catequese (Documentos da CNBB – 84)

Para dar sequência e fundamentar esta reflexão veremos o que o Diretório Nacional de Catequese (DNC) traz sobre o ser catequista: identidade e missão. Para tanto, transcrevemos abaixo o que o DNC apresenta sobre o perfil do catequista (cf. DNC 261-276).

Perfil do Catequista

O perfil do catequista é um ideal a ser conquistado, olhando para Jesus, modelo de mestre, de servidor e de catequista. Sendo fiel a esse modelo, é importante desenvolver as diversas dimensões: ser, saber, saber fazer em comunidade (cf. DGC 238ss). (DNC 261).

1 O ser do catequista, seu rosto humano e cristão 

Pessoa que ama viver e se sente realizada. Assume seu chamado com entusiasmo e como realização de sua vocação batismal. Compromete sua vida em benefício de mais vida para o seu próximo. “Ser catequista é assumir corajosamente o Batismo e vivenciá-lo na comunidade cristã. É mergulhar em Jesus e proclamar o Reinado de Deus, convidando a uma pertença filial à Igreja. O processo formativo ajudará a amadurecer como pessoa, como cristão e cristã e como apóstolo e apóstola” (cf. DGC 238). (DNC 262).

Pessoa de maturidade humana e de equilíbrio psicológico. “Com base numa inicial maturidade humana, o exercício da catequese, constantemente reconsiderado e avaliado, possibilita o crescimento do catequista no equilíbrio afetivo, no senso crítico, na unidade interior, na capacidade de relações e de diálogo, no espírito construtivo e no trabalho de grupo” (DGC 239). (DNC 263).

Pessoa de espiritualidade, que quer crescer em santidade. O catequista coloca-se na escola do Mestre e faz com Ele uma experiência de vida e de fé. Alimenta-se das inspirações do Espírito Santo para transmitir a mensagem com coragem, entusiasmo e ardor. “Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste” (Jo 17,3). Nutre-se da Palavra, da vida de oração, da eucaristia e da devoção mariana. Falará mais pelo exemplo do que pelas palavras que profere (cf. CR 146). A verdadeira formação alimenta a espiritualidade do próprio catequista, de maneira que sua ação nasça do testemunho de sua própria vida. (DNC 264).

Pessoa que sabe ler a presença de Deus nas atividades humanas. Descobre o rosto de Deus nas pessoas, nos pobres, na comunidade, no gesto de justiça e partilha e nas realidades do mundo. “A fé, no seu conjunto, deve enraizar-se na experiência humana, sem permanecer na pessoa como algo postiço ou isolado. O conhecimento da fé é significativo, ilumina a existência e dialoga com a cultura; na liturgia, a vida pessoal é uma oferta espiritual; a moral evangélica assume e eleva os valores humanos; a oração é aberta aos problemas pessoais e sociais” (DGC 87). (DNC 265).

Pessoa integrada no seu tempo e identificada com sua gente. É aberta aos problemas reais e com sensibilidade cultural, social e política. Cada catequista assumirá melhor a sua missão à medida que conhecer e for sensível à defesa da vida e às lutas do povo. “Olha o mundo com os mesmos olhos com que Jesus contemplava a sociedade de seu tempo” (DGC 16). (DNC 266).

Pessoa que busca, constantemente, cultivar sua formação. Assumir a missão catequética é cuidar com esmero de sua autoformação. Somos pessoas em processo de crescimento e de aprendizado, desde a infância até a velhice. As ciências teológicas, humanas e pedagógicas estão sempre em evolução e progresso. Daí a necessidade de uma formação permanente, assumida com responsabilidade e com perseverança. A catequese, em qualquer ambiente, “precisa de pessoas que buscam preparação e estejam dispostas a aprender sempre mais, para dar um testemunho convincente de fé. Não basta boa vontade, é preciso uma atualização dinâmica […]. Requer, também, uma grande intimidade com a Palavra de Deus, com a doutrina e a reflexão da Igreja […]” (CMM 38f). (DNC 267).

Pessoa de comunicação, capaz de construir comunhão. O catequista cultiva amizades, presta atenção nas pessoas, está atento a pequenos gestos que alimentam relacionamentos positivos. A delicadeza diária, simples, também é um anúncio do amor de Deus, através da consideração dos sentimentos das pessoas. “A comunicação autenticamente evangélica supõe uma experiência de vida na fé e de fé, capaz de chegar ao coração daquele a quem se catequiza” (CR 147). (DNC 268).

2 O saber do catequista

A formação do catequista requer “um conhecimento adequado da mensagem que transmite e ao mesmo do interlocutor que a recebe, além do contexto social em que vive” (DGC 238). É importante ressaltar a necessidade de conjugar sempre a teoria com a prática (DNC 269):

a) suficiente conhecimento da Palavra de Deus: a Bíblia é fonte de catequese e, portanto, indispensável na formação. “A Sagrada Escritura deverá ser a alma da formação” (DGC 240). A própria Igreja coloca à disposição de seus fiéis documentos que ajudam a aprofundar essa reflexão;

b) conhecimento dos elementos básicos que formam o núcleo de nossa fé (cf. DGC 130);

c) familiaridade com as ciências humanas, sobretudo pedagógicas: o catequista adquire o conhecimento da pessoa humana e da realidade em que vive, através das ciências humanas que, nos nossos dias, alcançaram um grau extraordinário de desenvolvimento;

d) conhecimento das referências doutrinais e de orientação: Catecismo da Igreja Católica, documentos catequéticos, manuais… “Diante do legítimo direito de todo batizado de conhecer da Igreja o que ela recebeu e aquilo em que ela crê, o Catecismo da Igreja Católica oferece uma resposta clara. É, por isso, um referencial para a catequese e para as demais formas do ministério da Palavra” (DGC 121);

e) conhecimento suficiente da pluralidade cultural e religiosa, com capacidade para encontrar nela as sementes do Evangelho: “A catequese, ao mesmo tempo que deve evitar qualquer manipulação de uma cultura, também não pode limitar-se simplesmente à justaposição do Evangelho a esta, de maneira decorativa, mas sim deverá propô-lo de maneira vital, em profundidade e isso até as suas raízes, à cultura e às culturas do homem” (DGC 204; EN 20). Considerando a pluralidade religiosa fortemente presente em nossa sociedade e até nas próprias famílias de catequistas e catequizandos, é preciso educação para o diálogo, com conhecimento sério da própria identidade de fé e respeito pelo sentimento religioso dos outros;

f) conhecimento das mudanças que ocorrem na sociedade, inteirando-se sobre as descobertas recentes da ciência nos diversos campos: genética, tecnológica, informática… A inculturação da mensagem cristã nesses campos é cada vez mais desafiante. A voz do Espírito que Jesus, por parte do Pai, enviou aos seus discípulos ressoa, também nos acontecimentos da história. Por trás dos dados mutáveis da situação atual e nas motivações dos desafios que se apresentam à evangelização, é necessário descobrir os sinais da presença e dos desígnios de Deus (cf. ChL 3);

g) conhecimento da realidade local, da história dos fatos, acontecimentos, festas da comunidade, como terreno para uma boa semeadura da mensagem: o discípulo de Jesus Cristo, de fato, participa das alegrias e das esperanças, das tristezas e das angústias dos homens de hoje (cf. GS 1, DGC 16);

h) conhecimento dos fundamentos teológicos pastorais, para ser a voz de uma Igreja com o rosto misericordioso, profético, ministerial, comunitário, ecumênico, celebrativo e missionário.

3 O saber fazer do catequista: a questão metodológica

Para que o catequista possa tornar-se uma pessoa de testemunho e de confiança perante a comunidade, é preciso que seja competente em sua ação catequética, superando a improvisação e a simples boa vontade. Para isso, é preciso levar em consideração várias dimensões: relacionamento, educação, comunicação, pedagogia, metodologia e programação. É possível desenvolvê-las através de práticas operativas, que vão possibilitando maior experiência. (DNC 270).

Relacionamento: o catequista necessita cultivar a qualidade das relações, pois elas permitem maior interação entre as pessoas. Jesus criou espaços de relacionamento afetuoso, acolhedor, misericordioso, que permitiam às pessoas maior proximidade. O catequista é um mediador de inter-relações na dinâmica do Reino. Um espaço privilegiado de relações humanas fraternas, de ajuda e de crescimento é o grupo de catequistas. As relações passam pela experiência do diálogo, do compartilhar, da amizade, da convivência dos grupos de trabalho, das festas. (DNC 271).

Educação: o catequista, como o Mestre Jesus, será um educador com possibilidade de desenvolver potencialidades, qualidades e capacidades para maior maturidade humana e cristã. “A formação procurará fazer amadurecer no catequista a capacidade educativa, que implica: a faculdade de ter atenção com as pessoas, a habilidade de interpretar e responder à demanda educativa, a iniciativa para ativar processos de aprendizagem e a arte de conduzir um grupo humano para a maturidade. Como acontece em toda arte, o mais importante é que o catequista adquira seu próprio estilo de ministrar a catequese, adaptando à sua personalidade os princípios gerais da pedagogia catequética” (DGC 244). (DNC 272).

Comunicação: o catequista necessita ser um promotor de comunicação da vida e da fé. “Ele desperta e provoca a palavra dos membros da comunidade” (CR 145). Além dos meios de comunicação da própria Igreja, é importante utilizar material do mundo secular, veiculado através de TV, rádio, jornais, Internet, fitas de vídeos, CDs, DVDs… (DNC 273).

Pedagogia: o catequista necessita conhecer e integrar elementos de pedagogia na sua prática, fundamentando-a na pedagogia divina, com ênfase na pedagogia da encarnação; nela se destacam:

a)      o diálogo de Salvação entre Deus e a pessoa, ressaltando a iniciativa divina, a motivação amorosa, a gratuidade, o respeito pela liberdade;
b)      uma Revelação progressiva, adaptada às situações, pessoas e culturas;
c)       a valorização da experiência pessoal e comunitária da fé;
d)      o Evangelho proposto em relação com a vida;
e)      as relações interpessoais;
f)       o uso de sinais, onde se entrelaçam fatos e palavras, ensinamento e experiência;
g)      a pedagogia litúrgica;
h)      a mistagogia do processo catecumenal. (DNC 274).

Metodologia: o catequista necessita de:

a)      um suficiente conhecimento dos interlocutores, para haver uma sintonia com as suas necessidades, sentimentos, situações, cultura, valorizando a experiência que cada pessoa traz. Qualquer metodologia deve se inspirar no princípio da interação fé e vida (cf. CR 113-117);

b)      levar em conta as ações concretas na comunidade, a memorização, sobretudo das formulações de fé expressas na Bíblia, a criatividade dos catequizandos, a importância do grupo e a comunidade como lugar visível da fé e da vida. (DNC 275).

Programação: aos responsáveis pela catequese compete conhecer e realizar um planejamento de forma conjunta com o pároco, pais, catequistas e catequizandos, fazendo uma interação com a programação própria da comunidade. Nessa programação incluem-se projetos de formação permanente. É preciso “saber programar a ação educativa, no grupo de catequistas, ponderando as circunstâncias, elaborando um plano realista e, após a sua realização, avaliá-lo criticamente” (DGC 245). (DNC 276).

Autor: Denilson Aparecido Rossi.
(Teólogo, Filósofo, Professor e Palestrante).


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